Flexibilidade na Dança

Profa. Ms Gizele Monteiro

Estamos enquadrando a Dança dentro de um conceito de desporto porque quanto maior a exigência da companhia, ou grupo, maior será a performance desses bailarinos.

Por estar a flexibilidade diretamente relacionada com a técnica dos movimentos da dança e também por compor grande parte das exigências desse movimento, esta passa a ser uma capacidade física de grande importância para a modalidade e relacionada a performance desse bailarinos.

Lesões na Dança e relação com a Flexibilidade:

Segundo Wiesler et al. (1996), 56% das bailarinas clássicas apresentam, em algum momento de suas vidas, lesões músculo-esqueléticas.

Alguns estudos têm tentado identificar as deficiências na aptidão física da bailarina elaborando algum tipo de treinamento que seja específico as suas necessidades físico-funcionais (Kuno et al. 1996; e Ramel et al. 1997).

A dança requer uma alta solicitação dos movimentos de rotação externa, flexão, extensão e abdução do quadril, e a flexão plantar do tornozelo (Hamilton et al. 1992).

Um estudo realizado por Fração et al (1999) as bailarinas analisadas apresentaram um ganho em amplitude de rotação externa do quadril. O ganho da rotação externa de quadril nas bailarinas foi acompanhado por perda da rotação interna, conforme também documentado por Hamilton et al. (1992). Este comportamento leva a uma possibilidade de mudanças torcionais no fêmur e acetábulo, e alteração do comprimento dos ligamentos relacionados aos movimentos de rotação do quadril.

Para dançar sobre a ponta dos pés e usar as sapatilhas de ponta, mantendo-se uma técnica adequada, as bailarinas necessitam um elevado grau de flexão plantar (em torno de 90 graus) do complexo tornozelo-pé. Esta elevada amplitude de movimento é resultado das constantes flexões plantares que ocasionam alguns graus de modelação óssea. Segundo Hamilton et al. (1992) essa modelação do tornozelo acontece para compensar a hiperextensão do joelho, normalmente presente nas bailarinas clássicas.

Da mesma forma que há uma relação entre perda e ganho para a amplitude do quadril, com o aumento na amplitude de flexão plantar do tornozelo houve uma perda da amplitude de dorso flexão do tornozelo, fato também documentado em outros estudos (Hamilton et al. 1992; Khan et al. 1997; Wiesler et al. 1996).

Esse não é um comportamento restrito da dança, mas também estudos no tênis documentaram comportamentos semelhantes no ombro de tenistas, tanto em fase de formação (juvenis) quanto tenistas profissionais (Vad et al. 2003; Kibler et al. 2000). Esses autores têm ligado esse resultado ao treinamento inadequado, associada a elevada exigência e uso de um movimento específico e repetitivo, e, quando incorpora-se atividades preventivas essa relação tem diminuído, assim como também a dor que normalmente acompanha esses casos.

Voltando a dança … A diminuição da amplitude de dorso flexão de bailarinas tem sido relacionada com lesões no tornozelo (Wiesler et al. 1996). Portanto trabalhos ou exercícios específicos, desde a formação, que visem o aumento da amplitude de dorso flexão podem ajudar na prevenção de lesões no tornozelo.

O padrão da flexibilidade em membros inferiores em bailarinas e sua correlação com lesões de quadril e joelho foi analisado por Reid et al. (1987).

Os problemas de joelho e quadril compõem cerca de 40% das lesões na dança e em muitos bailarinos parece que uma rigidez na banda iliotibial (ou trato iliotibial) pode contribuir para esses problemas.

Na preparação física dos bailarinos existe ênfase na abdução e rotação externa, excluindo o trabalho de adução, dessa forma contribuindo para uma amplitude de movimento reduzida também na adução do quadril, juntamente com uma rotação interna, conforme relatado pelos autores anteriores.

Este desequilíbrio de flexibilidade tem um papel na produção de dor lateral do joelho (que afeta 30% dos bailarinos) e na região anterior do quadril (que afeta 33% dos bailarinos).

Os resultados encontrados nesses estudos reforçam e sugerem mais atenção para o equilíbrio do treinamento da flexibilidade, evitando lesões e problemas crônicos no decorrer da vida ativa desses bailarinos.

Indicação de site sobre o assunto: http://www.med.nyu.edu/hjd/harkness/patients/injuries/

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

FRAÇÃO, V.B. et al. Efeito do treinamento na aptidão física da bailarina clássica. Movimento – Ano V – Nº 11 – 1999/2.

KHAN, K. et al. Hip and ankle range of motion in elite classical ballet dancers and controls. Clin J Sport Med. 7: 3, 174-179, 1997.

KIBLER, W.B. et al. Musculoskeletal injuries in the young tennis player. Clin J Sports Med. 19(4):781-92, 2000.
KUNO, M. et al. Anthropometric Variables and Muscle Properties of Japanese Female Ballet Dancers. Int J Sports Med. 17,110-105, 1996.

HAMILTON, G. W. et al. A profile of the musculoskeletal characteristies of professional ballet dancers. Am J Sports Med. 20 (3): 267-273, 1992.

REID, D.C. et al. Lower extremity flexibility patterns in classical ballet dancers and their correlation to lateral hip and knee injuries.Am J Sports Med. 15(4):347-52, 1987.

VAD, V.B. et al. Hip and shoulder internal rotation range of motion deficits in professional tennis players. J Sci Med Sport. 6(1):71-5, 2003.

WIESLER, E. R. et al. Ankle flexibility and injury patterns in dancers. Am J Sports Med. 24(6):754-757, 1996.

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