Alongamento e Flexibilidade – análise e conceituação

Profa. Ms Gizele Monteiro

FLEXIBILIDADE – CONCEITUAÇÃO

A nomenclatura que abrange a capacidade física flexibilidade é muito vasta na literatura, e suas definições ainda são divergentes entre alguns autores.

Atualmente uma definição-padrão entre a maioria dos autores é que flexibilidade pode ser definida como “amplitude de movimento” articular (AM ou ADM), podendo ser avaliada em cada articulação ou grupo de articulações (Anderson & Burke, 1991; Corbin, 1984; Rash & Burke, 1986).

Pode também ser expressa como a liberdade para mover-se ou como a capacidade física de o organismo humano condicionar a obtenção de grandes amplitudes durante a execução dos movimentos (Zakharov, 1992). Matveev (1997) define-a como a capacidade de realizar ações motoras com a amplitude adequada de movimentos. Essa amplitude caracteriza o grau de mobilidade das articulações e o estado do sistema muscular, que está relacionado às capacidades mecânicas das fibras musculares (resistência a extensão) e à manutenção do tônus muscular no decorrer da ação motora. Nota-se que o autor não utilizou o termo máxima amplitude.

O termo mobilidade é utilizado por alguns autores, sendo descrito como um componente da flexibilidade, o qual descreve o grau relativo da AM, ou ainda como sinônimo da flexibilidade (Hall, 1993; Schneider et al., 1995).

Harre (1973) o utiliza como sinônimo e o define como a capacidade de o homem executar movimentos com grandes amplitudes. Para Platonov & Bulatova (s.d) quando se fala numa articulação específica, é preferível falar de sua mobilidade, por exemplo: mobilidade da articulação escápulo-umeral, da articulação coxo-femural. Esses autores afirmam que o termo flexibilidade é mais adequado para valorizar a flexibilidade das articulações de todo o corpo.

A Flexibilidade pode ser considerado um pré-requisito básico para a execução correta dos movimentos e por ter grande participação do sistema nervoso central é também considerada uma capacidade coordenativa.

ALONGAMENTO – CONCEITUAÇÃO

O termo alongamento é entendido pelo aumento da extensibilidade muscular, assim como também os movimentos ou exercícios utilizados para treinar a flexibilidade.

Podemos então entender que é a propriedade que o músculo possui de se estender além de seu comprimento em repouso. Os exercícios de alongamento são o meio para o desenvolvimento da capacidade física denominada flexibilidade.

Alter (1988) coloca que uma adaptação característica ao aumento da flexibilidade é chamada de alongamento, a qual é o aumento da extensibilidade muscular.

Achour Júnior (1994) e Alter (1988) caracterizam como os movimentos amplos e com reduzida tensão muscular para desenvolver a flexibilidade ou como o exercício utilizado para que se promova o aumento da AM, isto é, a flexibilidade.

Segundo Araújo (1999), o termo alongamento se aplica melhor a uma forma de exercícios físicos, e o autor considera ainda como sinônimos os termos exercícios de flexibilidade e exercícios de alongamento.

Achour Júnior (1999) acredita que não é coerente definir que até determinado alcance de movimento (determinada amplitude) é dado pelo alongamento muscular e que, se esse limite, torna-se flexibilidade. Sua explicação apóia-se no argumento de Astrand & Rodahl (1987): “já que os fatores limitantes da flexibilidade residem no comprimento dos músculos, um exercício que produza o alongamento muscular resultará em aumento da flexibilidade”.

Concordamos com essas observações e analisaremos outro ponto: o que determina o grau de treinamento de qualquer capacidade física é o domínio e incremento da carga, a qual leva um indivíduo ao treinamento ou manutenção desta. A flexibilidade não se difere das outras capacidades físicas e portanto éa “quantificação do exercício de alongamento (ou dos estímulos e variáveis)” que levará ao resultado que o professor deseja. Quando fala-se em quantificação devemos ter claro o que quantificar, isto é, quais variáveis podemos modificar para a prescrição do exercício de alongamento, pois é dessa forma que iremos atingir o objetivo de manter ou aumentar a flexibilidade.

Achour Júnior (1999) observa, como já comentado, que os exercícios de alongamento podem ocasionar deformações elásticas no tecido (recupera a extensão original do tecido após liberar a tensão) ou plástica (o tecido não retorna ao seu tamanho original após a liberação da tensão).

O entendimento e o controle nas variáveis que compõem a prescrição poderá levar a essas deformações (elástica ou plástica) citadas pelo autor.