Grávidas Obesas são incentivadas a não ganhar peso para emagrecer após o parto

Por Gizele Monteiro – personal gestante

Grávidas obesas são incentivadas a não ganhar peso para emagrecer após o parto

“Paten, de 35 anos e moradora do Bronx, tinha recebido ordens médicas para não ganhar mais que 5 ou 7 quilos – ela já tinha cerca de 50 quilos de peso excedente”.

Um quinto das mulheres grávidas nos Estados Unidos sofre de obesidade. Cada vez mais médicos estão aconselhando essas mulheres a cuidar do peso se quiserem uma gravidez fácil e um parto tranquilo. Em maio, o Instituto de Medicina divulgou diretrizes reduzindo o mínimo recomendado de ganho de peso para mulheres obesas, de 7 para 5 quilos.

Agora, um grande experimento de quatro anos, chamado Mães Saudáveis, está indo mais longe, tentando evitar que mulheres grávidas obesas ganhem qualquer peso. Se elas aumentarem de peso, os pesquisadores querem que seja limitado a 3% de seu peso inicial, ou cerca de 2,5 kg para uma mulher que pesa 85 kg.

“A gravidez é o que chamamos de momento educável, uma época em que as mulheres estão dispostas a realizar mudanças positivas de comportamento, pois isso é importante para sua própria saúde e para a do bebê”, disse Dra. Kathleen M. Rasmussen, professora de nutrição na Universidade Cornell e diretora do comitê do instituto sobre o ganho de peso durante a gravidez.

Enquanto muitas mulheres deixam de fumar ou beber durante a gravidez, Rasmussen diz que “três quartos das grávidas com sobrepeso ou obesas estão engordando fora dos padrões recomendados”.

Grupo de apoio

As grávidas obesas envolvidas no experimento Mães Saudáveis se reunirão privadamente com um nutricionista e participarão de grupos semanais de apoio comandados por especialistas em gerenciamento de peso. Elas serão estimuladas a seguir um plano de alimentação, baseado em comidas com baixo teor de gordura, com ênfase em frutas, vegetais, grãos, carne magra e laticínios de pouca gordura, além de consumir apenas uma média de duas mil calorias por dia.

Se isso parece drástico, muitos especialistas dizem que as mulheres precisam de um adicional de apenas 300 calorias diárias para sustentar uma gravidez. Embora algum ganho de peso seja devido a alterações normais em tecidos uterinos e dos seios, assim como peso do feto, placenta e excesso de fluidos, um número significativo de mulheres obesas não engorda durante a gravidez – e mesmo assim parece demonstrar resultados saudáveis.

“Por muitos anos, o ensinamento clássico tem sido: se você está grávida, tem que ganhar peso, e existe todo o conceito de comer por dois”, disse Dra. Kimberly K. Vesco, pesquisadora do Centro de Pesquisa de Saúde Kaiser Permanente, em Portland, Oregon, e obstetra e ginecologista praticante que irá dirigir o estudo Mães Saudáveis. A verdade, segundo Vesco, é que “você tem de comer mais, mas não precisa comer muito mais”.

Quebrando o ciclo

Restrições de peso na gravidez não são novidade: ao longo do século 19 e grande parte do século 20, pedia-se que as mulheres engordassem menos de 10 kg para reduzir o risco de complicações e cesarianas. As diretrizes foram relaxadas nas décadas de 70 e 80, à medida que as cesarianas se tornavam mais seguras e foram descobertos os riscos para bebês abaixo do peso.

Atualmente, as taxas crescentes de obesidade estão levando especialistas a questionar essas informações. Pesquisadores estão começando a questionar se a obesidade da mãe poderia ser prejudicial ao feto em desenvolvimento –e, no fim, se poderia levar à obesidade infantil. Colocar freios no ganho de peso durante a gravidez pode ser uma oportunidade, em outras palavras, de quebrar o ciclo da obesidade.

Porém, as implicações de uma restrição severa no peso não são totalmente conhecidas. “É um experimento”, afirmou Rasmussen sobre a pesquisa de US$ 2,2 milhões, que recebe financiamento federal. “Precisamos de estudos experimentais que possam realmente nos mostrar que, se você fizer as mulheres engordarem dentro de certo limite, isso irá melhorar seus resultados”.

Alguns dados, de estudos observacionais, sugerem que mulheres obesas que limitam seu ganho de peso podem ter uma gravidez mais saudável e um parto mais fácil; os médicos esperam que elas também possam evitar ter peso extra para perder após o parto.

Entretanto, existem preocupações. A principal é que as mulheres que não ganharem peso na gravidez irão queimar gordura para obter energia, produzindo compostos de ácidos chamados cetonas, que podem ser prejudiciais ao feto. Estudos realizados com mulheres diabéticas e animais descobriram que bebês nascidos de mulheres com mais cetonas no sangue tinham QI menor que outros bebês, afirmou Dra. Naomi E. Stotland, professora assistente de obstetrícia, ginecologia e ciências reprodutivas da Universidade da Califórnia, em São Francisco.

“O que não sabemos é: o fato de a mulher não ganhar peso gera algum efeito no desenvolvimento neurológico dos bebês, ou outros efeitos adversos?”, disse Stotland. “Algumas dessas mulheres podem estar perdendo massa gorda, e a questão é: perder massa de gordura durante a gravidez, quando se está em uma categoria superior de IMC, é seguro para o bebê?”

Pós-parto

O estudo Mães Saudáveis acompanhará as mulheres durante a gravidez, para descobrir quando peso elas ganham, o tamanho de seus bebês e quanto peso elas retêm um ano após o parto, examinando complicações, o crescimento do bebê, hábitos alimentares e se a mãe continua com um estilo de vida mais saudável após o nascimento. Céticos dizem ser necessário acompanhar medidas adicionais, como o desenvolvimento cognitivo de longo prazo nos bebês.

Paten, a moradora do Bronx, saiu-se bem com sua gravidez, mas teve pressão alta e diabetes gestacional durante a gravidez e fez o parto por cesariana, apesar de seu gerenciamento de peso.

Seu filho, Brandon, que nasceu em 4 de setembro, pesava 4 quilos.

Após o nascimento de Brandon, ela fez um exame e se viu livre do diabetes, embora mais exames fossem necessários. E já havia perdido 11 kg.